O que esperar dos nossos vereadores?

Com recém-completados nove meses de legislatura, grande parte dos eleitores das duas principais cidades da região já percebeu que, no que depender dos vereadores, eles continuarão mal representados pelo menos até 2020.

Embora as duas Câmaras tenham passado por relativos processos de mudança em seus quadros, com eleição de caras novas em 2016, elas padecem do grande mal que costuma marcar todo início de legislatura: a falta de independência perante ao Executivo.

Com bases aliadas ainda sólidas, as Câmaras têm se comportado como meros quintais das duas prefeituras. Aprovam o que o prefeito quiser, quando quiser e como quiser.

Isso tem sido mais nítido em São José dos Campos, onde o prefeito Felicio Ramuth (PSDB) está no primeiro mandato e tem mudanças mais drásticas a implementar. Ao aprovarem a toque de caixa projetos como o da taxa de lixo e o das mudanças no custeio da previdência municipal, os vereadores deixam claro que não são representantes do povo, e sim do tucano.

Em Taubaté, tudo que Ortiz Junior (PSDB) queria também acabou aprovado sem dificuldade, incluindo projetos relacionados a temas discutidos na Justiça, como a doação de área à Valle Sul e o reajuste salarial para o funcionalismo, que ficou abaixo do acordado.

A regra é clara: quem está do lado dos governos ganham obras em seus redutos e vídeos dos prefeitos para postar nas redes sociais. Quem não está, fica de escanteio.

Nessa relação vergonhosa, os vereadores das duas cidades têm abdicado de fiscalizar o que ocorre nas prefeituras.

Com pouca coisa útil saindo das Câmaras, o que acaba ganhando destaque são as trapalhadas dos parlamentares.

Em São José, o corporativismo impediu até agora medidas drásticas contra o colega que usou um assessor para fins particulares. Em Taubaté, dois projetos com erros de redação foram aprovados sem que ninguém percebesse.

Restam 39 meses para o fim do mandato. É por episódios assim que os atuais vereadores vão querer ser lembrados?