O dinheiro não para de sair pelo ladrão

Entre 2009 e 2012, a Câmara de Taubaté pagou um ‘abono de Natal’ para todos seus servidores. Nesses anos, os funcionários da Casa, que já recebiam 13º salário (como qualquer trabalhador comum), passaram a ganhar também um presente extra (como não ocorre com você, trabalhador comum). Os valores variaram entre R$ 1.000 e R$ 2.000. A prática só não foi repetida em 2013 porque o Ministério Público a contestou, e a Justiça a considerou irregular.

Entre 2013 e 2017, os vereadores aprovaram projetos para reajustar anualmente seus próprios salários. Só no ano passado a prática foi contestada pelo MP. Resultado: o reajuste de 2017 foi cancelado e o dinheiro pago a mais nesse último ano acabou devolvido.

Em 2015, após ação da Promotoria, foi firmado um acordo judicial em que a Câmara se comprometeu a limitar as viagens oficiais (acredite, antes o número de viagens era ainda maior). No mesmo ano, o Legislativo criou um auxílio-alimentação de R$ 220, pago mensalmente a todos os funcionários, não importa qual seja o salário deles.

No segundo semestre de 2017, após pressão do jornal, os vereadores de Taubaté passaram a reduzir os gastos com viagens oficiais. As despesas foram minguando mês a mês, sob o receio de que uma possível decisão judicial (que veio em julho desse ano) obrigasse a Câmara a divulgar os relatórios dessas viagens. Em maio de 2018, o Legislativo resolveu aumentar em 112% o auxílio-alimentação criado em 2015, que passou para R$ 467,95 por mês. Até 2020, o impacto será de R$ 1,3 milhão.

Esse vale é pago para todo servidor da Câmara. Mesmo para o procurador-chefe, que por alguns meses chegou a receber salário R$ 8,4 mil acima do teto municipal. Isso só parou após o MP, com base em reportagens do jornal, denunciar o caso à Justiça.

Ou seja: na prática, enquanto o país ainda sofre consequências de uma grave crise econômica, a Câmara de Taubaté esbanjou nos últimos anos. Para toda regalia cortada, surgia uma nova. É o nosso dinheiro saindo pelo ladrão.