Fake news? Parece que o jogo virou

“A Folha de S. Paulo é a maior fake news do Brasil”.

A frase que abre esse texto foi dita em outubro de 2018 pelo então candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL), às vésperas do segundo turno da eleição — que, como todos sabem, ele venceu.

Esse não foi o primeiro e nem o último ataque do pesselista à imprensa. Aliás, Bolsonaro parecia possuir um carimbo automático, que taxava de ‘fake news’ toda e qualquer reportagem que pudesse desconstruir a imagem que ele tentava forjar.

Por ironia do destino, coube à imprensa — e mais especificamente à Folha de S. Paulo — revelar o caso que mais dor de cabeça deu para Bolsonaro após a posse como presidente: o laranjal do PSL.

Inicialmente, quando a Folha apontou que o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, que é presidente do PSL em Minas Gerais, direcionou verbas de campanha a candidatas que seriam laranjas, o impacto foi contido. Depois, no entanto, quando o mesmo jornal mostrou práticas semelhantes envolvendo dois outros nomes da alta cúpula do partido de Bolsonaro — o atual presidente, Luciano Bivar, e o presidente à época da eleição, Gustavo Bebianno, que hoje é ministro da Secretaria Geral da Presidência — a repercussão foi bem diferente.

Se Bolsonaro acreditasse mesmo no que disse em outubro, de que a ‘a Folha de S. Paulo é a maior fake news do Brasil’, não teria iniciado um processo de fritura pública de Bebianno, um de seus aliados políticos mais próximos, simplesmente por causa de reportagens do jornal. Pelo contrário, ele sabe que aquela afirmação — assim como tantas outras sobre a imprensa — não passou de um subterfúgio para não ter que dar explicações sobre temas delicados.

Essa muleta de culpar a imprensa quando os fatos não convêm não é usada apenas por Bolsonaro. Aliás, ela parece ser um item de série da maioria dos políticos.

Para nossos governantes, no mundo ideal as pessoas se informariam apenas por memes e grupos de WhatsApp.