Todos em busca de receber a bênção do rei

Quanto mais nos aproximamos de 2020, mais forte fica o questionamento em Taubaté: quem será o indicado pelo prefeito Ortiz Junior (PSDB) para disputar sua sucessão?

Em uma cidade em que o clã Ortiz foi responsável por todos os prefeitos desde 1983, há impressionantes 36 anos, essa questão tem muito peso. Ninguém duvida que o escolhido pelo tucano será um dos principais favoritos ao Palácio do Bom Conselho.

Se não bastasse esse histórico e a nítida força da família no município, ainda existem outros fatores. O principal deles é que as últimas lideranças que chegaram a ameaçar o clã perderam força nos últimos anos: Padre Afonso (PV) e Pollyana Gama (PPS) ficaram sem mandato e Isaac do Carmo (PT) ruiu com seu partido.

Há quem aposte que a onda conservadora, que impulsionou Bolsonaro em 2018, poderá se repetir em 2020, elegendo prefeitos Brasil afora. Mas, com a popularidade do presidente despencando em poucos meses, essa possibilidade já não é tão grande assim.

Por conta disso tudo, pessoas próximas de Ortiz se acotovelam cada vez mais para se mostrarem ao tucano como candidatos viáveis 2020. Apenas entre os secretários municipais, quatro nomes aparecem entre os cotados: Cláudio Macaé (Educação), Eduardo Cursino (Governo), Edsson Chacrinha (chefe de Gabinete) e Edson Oliveira (Planejamento) — esse último é também o vice-prefeito.

Muita gente que acompanha de perto cada um deles aposta o contrário: que eles prefeririam continuar como secretários em uma nova gestão, sem se expor tanto como prefeito. Mas, nos últimos meses — e até anos –, todos já fizeram inúmeros movimentos que mostram que a tentação de comandar o Bom Conselho pode falar mais alto.

Entre os aliados do núcleo político, quem desponta é Guará Filho (PR), um dos poucos vereadores não atropelados pelo escândalo da ‘Farra das Viagens’. Afinal, se os parlamentares envolvidos no caso já terão dificuldade para se reeleger na Câmara, imagina se concorressem à prefeitura.

Voltando à questão histórica, esse processo de escolha mostra um ponto que deve preocupar Ortiz Junior. Nas três vezes em que definiu um sucessor, seu pai, o ex-prefeito José Bernardo Ortiz (PSDB), se arrependeu depois.

Primeiro, Bernardo apoiou a vitória de Salvador Khuriyeh. Romperam logo depois. Depois, com Mário Ortiz, aconteceu o mesmo. E por fim, com Roberto Peixoto, o tucano ganhou direito a pedir música no Fantástico.

Os três sucessores ganharam de Bernardo o apelido de Iscariotes — afinal, como Judas, o teriam traído. Centralizador como o pai, Ortiz Junior analisa as fichas para tentar definir o nome ideal de quem poderá ser o novo prefeito, e não de quem será seu futuro inimigo.