Mudar é bom, mas é preciso avaliar a troca

Mudança. Talvez esse seja o termo que melhor descreva o sentimento da maioria dos brasileiros que foram às urnas no domingo passado.

Após anos de notícias de corrupção envolvendo os principais partidos políticos, e com uma economia instável que não inspira confiança em ninguém, o eleitor simplesmente decidiu virar a página. A tal ‘política tradicional’ foi o maior alvo desse sentimento.

Tomando como base as eleições proporcionais, estas já decididas no último domingo, podemos ver claramente um ponto positivo nisso. Velhos caciques da política, famosos por episódios nada honrosos, ficaram de fora do Congresso Nacional.

Ao menos pelos próximos quatro anos, a Câmara dos Deputados e o Senado ficarão livres de nomes como Romero Jucá, Eunício Oliveira, Agripino Maia, Edison Lobão, Magno Malta, entre vários outros.

Retirar do poder quem não fez jus a ele é um grande passo. Mas as cadeiras do Congresso continuam em mesmo número, e passarão a ser ocupadas por novos nomes. Ou seja, renovar é importante, mas de nada adianta se essa troca for por opções iguais ou ainda piores.

Na última eleição municipal, por exemplo, dentre 19 cadeiras, a Câmara de Taubaté elegeu sete novatos. Quatro desses novos nomes estão na lista da ‘Farra das Viagens’. Em poucos meses de mandato, já estavam se comportando como velhos políticos. A troca foi boa?

Esse ano, os eleitores tiraram do Congresso diversos políticos não mereciam estar lá. Mas, entre os novatos eleitos, há vários nomes assustadores. O mesmo ocorreu nas Assembleias Legislativas país afora. Essa troca foi boa? Vamos saber nos próximos anos.

Daqui a duas semanas, nós, os eleitores, voltaremos às urnas para o segundo turno. Votaremos novamente para governador e para presidente. Que sentimentos nos move? Queremos uma mudança, a qualquer custo? Ou é preciso analisar bem, para não piorar ainda mais o que já está ruim? Pior do que trocar seis por meia dúzia, é trocar por zero.

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