Pesquisas mudam rumo de campanhas

A campanha eleitoral começou oficialmente em 27 de setembro, mas em São José dos Campos e em Taubaté, na prática, ela teve um divisor de águas entre os dias 15 e 20 de outubro, quando foram divulgadas as primeiras pesquisas nas duas cidades.
E esse divisor de águas teve efeitos diferentes nos dois municípios. Em São José, foi um balde de água fria sobre a cabeça de 10 dos 11 candidatos ao Paço, ao mostrar Felicio Ramuth (PSDB) beirando a metade das intenções de voto – o tucano atingiu 47,4% no levantamento OVALE/TV Band Vale/Paraná Pesquisas e 48% no Ibope/TV Vanguarda.

Nas duas pesquisas, Felicio aparece com uma intenção de voto bem maior do que a soma dos outros 10 concorrentes. E também com um governo aprovado por 64% dos eleitores, como mostrou o Ibope. Ainda é cedo, mas é difícil imaginar, por enquanto, que essa disputa não seja decidida ainda no primeiro turno. Talvez apenas um fato novo seria capaz de impedir isso, mas nenhum desponta no horizonte.

O tom morno adotado pelos principais concorrentes de Felicio no horário eleitoral também só ajuda o tucano. Como convencer o eleitor de que você é melhor do que o prefeito atual se não é capaz de apontar eventuais falhas do governo?

Em Taubaté, a pesquisa teve um efeito contrário. Foi como riscar um fósforo e jogar em um tanque cheio de gasolina. Os três candidatos que apareceram empatados tecnicamente na ponta do levantamento Ibope/TV Vanguarda estavam confiantes antes da divulgação, mas a ordem do resultado surpreendeu alguns e teve efeito imediato nas campanhas.

Loreny (Cidadania), que apareceu numericamente em primeiro, com 21%, passou a ser alvo de incessantes ataques, principalmente virtuais – muitos desleais e sexistas, inclusive, como vídeos da candidata dançando ou fotos dela de biquíni. Os adversários ainda tentam colar em Loreny a imagem de que ela seria de esquerda, o que a candidata nega. A equipe da campanha diz estar tranquila com relação às fake news, mas em uma cidade extremamente conservadora, é difícil mensurar o impacto que esses temas podem ter.

José Saud (MDB), com 17%, tinha esperança de aparecer na ponta, mas traça uma estratégia de tentar crescer apenas nas últimas semanas, para não perder fôlego antes da reta final.

Eduardo Cursino (PSDB), com 14%, frustrou a equipe do governo Ortiz Junior (PSDB). A expectativa era de que o candidato tucano aparecesse mais à frente, até porque a pesquisa foi feita após 10 dias de horário eleitoral. Ato contínuo, a campanha intensificou duas ações: o esforço para colar em Cursino a imagem de Ortiz; e críticas (até com memes) a Loreny e Saud, que são chamados de aventureiros, sem experiência e ‘time do contra’.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *